segunda-feira, 8 de junho de 2020

A genética: Prematuridade e neotenia (Parte I)


Como já estudamos, o ser humano é distinguido por três fatores: biologia, história e cultura. Deste modo, a questão da genética, incluindo a prematuridade e a neotenia, relaciona-se com a biologia.
Fatores que influenciam o Homem.

O Homem é um ser vivo da classe dos mamíferos ou primatas com necessidades, contudo, o que o distingue dos outros é que este, entre outras coisas, é um super-primata onde o seu cérebro tem inteligência (faculdade que consiste em resolver problemas teóricos, práticos e sociais) que permite a aprendizagem.  Ainda porque os seus genes constituem um programa genético aberto que dá ao embrião o essencial para sobreviver, mas dependente de outro Homem, isto é, o organismo não tem as capacidades totalmente desenvolvidas no momento em que nasce, sendo necessário, em comparação a outras espécies, mais tempo para atingir o desenvolvimento.

A título de exemplo, após o nascimento o pato nada atrás da mãe, revelando características adultas, ou seja, nasce já em condições para a adaptação ao meio e ao afastamento à progenitora. Enquanto o ser humano apresenta uma incapacidade para sobreviver sozinho. Assim, o ser humano é um ser prematuro, inacabado, imaturo e não especializado devido ao seu programa genético aberto, isto é, o Homem é “um ser aberto ao mundo” [1].

Após nascer, o Homem não possui todas as caraterísticas necessárias para a sua sobrevivência sozinho.

Os genes sofreram, ao longo da vida, interações com o ambiente físico e social que serão aprendidos pelo Ser Humano após o nascimento devido ao seu cérebro. Assim, os psicólogos consideram que a complexidade do ser humano e o papel da aprendizagem são resultados do inacabamento biológico.

A prematuridade explica a longa infância, uma vez que esta é o período de crescimento e de acabamento do processo de desenvolvimento ocorrido na vida intrauterina, sendo essencial para a sobrevivência/ adaptação da espécie e para o ciclo da vida humana.

Contudo, a necessidade e a capacidade para apreender continuam na adolescência e na vida adulta, contrariamente ao crescimento físico que atinge a maturidade após os 20 anos.


“Tiraram-nos do forno evolutivo muito cedo, estamos a meia cozedura.” (Fernando Savater)



[1] Afirmação do psicólogo e sociólogo Arnold Gehlen


Ana Paula Pinto

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