terça-feira, 2 de junho de 2020

O Saber, O Sentir, O Fazer


A Mente como um Conjunto Integrado de Processos Cognitivos, Emocionais e Conativos

O Saber, O Sentir, O Fazer

            Para melhor perceber-mos a mente humana, temos que primeiro saber o seu significado:
            
           Definição: No ser humano, faculdade de entender, de pensar reflexiva e afetivamente; entendimento, cognição.
          
             Ou seja, a mente é a nossa capacidade de entender-mos o que nos rodeia e conseguir-mos organizá-los de modo a que nos seja mais fácil aceder ao conhecimento adquirido.
           
                  E então quais são os processos mentais usados pela nossa mente?
            
                  Os processos são 3:
·       1 – Cognição (saber) (o quê?)
·       2 – Emoção (sentir) (como?)
·       3 – Conação (fazer) (porquê?)

Estes são os 3 processos que nós, humanos, usamos no processo de conhecimento que acontece dentro da nossa mente.








          (1) O primeiro processo é o da cognição. É a nossa capacidade de aprendizagem, as nossas perceções, a nossa dita inteligência. Conhecimento como saber onde fica geograficamente o meu país, a capacidade de contar ou a capacidade de andar de andar de bicicleta são alguns exemplos do processo cognitivo.
           
           (2) O segundo processo é o processo emocional. Este processo remete para a nossa capacidade de processar-mos emoções, sentimentos, afetos, entre outros. É este processo que nos dá a capacidade de ficar-mos alegres ou tristes consoante a realidade processada.
            
          (3) O terceiro processo, o processo conativo, representa a capacidade humana de motivação, de fazer algo intencionadamente, a nossa vontade e o nosso empenho. É um processo importante pois revela também o estado espírito da pessoa.
            
           Algo muto importante de salientar é, para a nossa mente funcionar corretamente, é preciso que estes 3 processos trabalhem em conjunto, de forma integrada porque senão a nossa capacidade mental não funciona corretamente, nem a 100%.






                             Apesar de tudo, nem sempre foi esse o entendimento científico da mente humana. Antigamente, havia o entendimento geral que a emoção e a razão eram dois campos separados e que a mente apenas servia para os processos cognitivos, para a razão enquanto que a emoção e a conação eram referentes ao corpo. A dualidade mente-corpo eram muito vincada. A perceção da mente humana era representada num modelo abstrato, esquemático e depurado da mente. Nomes como Buda, Confúcio e Sólon contribuíram bastante para esta distinção vincada e errada da mente humana.
            
                    Só nos finais do século XX é que a afetividade e a subjetividade começaram a ter lugar no conhecimento. Para muito contribuíram as neurociências, e em particular um neurocirurgião português, António Damásio. Para este desenvolvimento importante, muito se deve ao famoso caso de Phineas Gage e o seu acidente.
            
                     
                      António Rosa Damásio, nasceu em Lisboa no dia 25 de fevereiro de 1944. É um médico neurologista, professor na Universidade do Sul da Califórnia e é o autor do livro Erro de Descartes, fundamental na mudança do paradigma científico e para acabar com a separação do corpo e da mente.
                       
                     Principais Obras: Erro de Descartes (abril de 1995), O Livro da Consciência (2010), Ao encontro de Espinosa (fevereiro de 2003)
                        
                   Principais Prémios: Prémio Pessoa, Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’lago da Espada de Portugal (9 de junho de 1995), Prémio Honda (2010)

           
Caso de Phineas Gage:
            
                     Em 1848, Phineas Gage, encarregado de construção civil sofreu um acidente de trabalho, quando uma barra de ferro se atravessou o rosto e o crânio após uma explosão. Gage sobreviveu e, após poucos minutos do acidente andava pelo seu próprio pé e parecia bem perante as circunstâncias. A pesar de aparentar estar bem, os comportamentos de Gage mudam drasticamente após o acidente.
            
                       ANTES: pessoa responsável, assídua, bem-educada, cumpria os prazos laborais à risca, era responsável;
           
                       DEPOIS: perdeu completamente o sentido de responsabilidade, usava frequentemente o calão, algo que raramente fazia antes do acidente, não respeitava horários nas as ordens que lhe eram dadas;
           


O seu médico, John Harlow, reconhece que o que aconteceu a Gage após o acidente é “ o equilíbrio entre as faculdades intelectuais e as propriedades animais”. Os seus amigos reconheciam que Gage nunca mais foi o mesmo após o acidente, mas atribuíam a culpa ao trauma vivenciado pelo mesmo. Phineas Gage acaba por morrer em 1860, 12 anos após o seu acidente. O seu cérebro foi preservado na Universidade de Harvard.

Em 1994, um casal de neurocirurgiões portugueses (António e Hanna Damásio) conseguiram localizar de uma forma mais precisa a lesão de Gage. O casal determinou que as lesões sofridas por Phineas Gage “(…) causavam um défice nas tomadas de decisão racionais e no processamento das emoções(…)”. O casal também descobriu que a barra tinha atravessado os lobos frontais. Os lobos frontais, até então não tinham nenhuma função no cérebro mas, os Damásios descobriram que esta região cerebral é importante na manutenção do equilíbrio emocional e conativo. A destruição desta região cerebral parece resolver a questão da alteração de comportamento por parte de Gage.

Estas descobertas são a pedra basilar no reconhecimento das emoções na racionalidade humana, desenvolvida por Damásio no seu livro Erro e Descartes.


Hoje em dia, o reconhecimento das emoções como parte integrante da mente humana é algo completamente adquirido, graças ao trabalho de gerações de neurocirurgiões, com destaque para um dos mais brilhantes neurocirurgiões mais brilhantes de Portugal já teve.

Hugo Silva 12C n15

Sem comentários:

Enviar um comentário